Nem a força de um ídolo e a força da camisa bastaram na Argentina.

No último sábado (01/10), a Conmebol realizou a final da Copa Sulamericana em Córdoba, na Argentina, em partida única que envolveu dois clubes de patamares diferentes, São Paulo e Independiente Del Valle protagonizaram um jogo muito interessante, mas que resultou em derrota do Tricolor paulista.

Se formos falar de sistema de jogo, tanto o time de Rogério Ceni quanto o time de Martín Anselmo, ex-auxiliar técnico de Miguel Ángel Ramirez, jogam teoricamente parecidos, ambos gostam de ter a posse de bola, marcar pressão e tentar impor sua maneira de jogo perante o adversário. Porém em Córdoba algo ficou muito claro, o que se pode fazer com tempo e tranquilidade para trabalhar, e que quando se tem capacidade dá pra fazer mais com menos. Por outro lado, vimos um time comandado por um de seus maiores ídolos, com uma pressão nas costas por não ganhar nada relevante há 10 anos e que entrou em campo extremamente nervoso, além de muito mal organizado técnica e taticamente. 

A última partida do São Paulo antes da final foi pelo campeonato brasileiro contra o Avaí, onde o Tricolor fez um imponente 4x0 na equipe comandada pelo técnico Lisca Doido, como resultado dessa goleada? Uma grande confiança do torcedor São-Paulino de que veria pela primeira vez em muitos anos seu time ser campeão continental, por mais que não fosse da Libertadores, um título de Sulamericana muda os rumos de um clube na temporada seguinte. 

Já a última partida do Independiente Del Valle antes da final foi válida pelo campeonato equatoriano, contra o Macará, onde ganhou pelo placar clássico e simples do futebol 1x0. E eu tenho um ponto não só sobre esse jogo, mas como nós - brasileiros - analisamos o futebol sulamericano como um todo. É como se nós ignorássemos completamente o futebol do resto dos países do nosso continente, como se apenas o Brasil fosse capaz de produzir times competitivos o suficiente para brigar por títulos.

O Independiente Del Valle já mostrou antes que é um modelo de clube muito sólido, e que vem buscando seu lugar pela América do Sul desde 2016 quando já foi vice campeão da Copa Libertadores, e quando em 2019 foi campeão da Copa Sulamericana em cima do Cólon (ARG), além da mais nova conquista continental em cima do São Paulo Futebol Clube. 


A grande mídia - paulista principalmente - vinha dando o Tricolor como franco favorito no confronto, mas ao fazer isso, mostraram um desconhecimento gigante não só do time do Independiente Del Valle em si, mas de todo o futebol que cerca o nosso continente. Apesar de termos equipes brasileiras como campeãs das últimas três edições de Conmebol Libertadores - além da final desse ano, com duas equipes brasileiras - e também da última edição de Conmebol Sulamericana, algumas equipes fora do nosso país também tentam se impor e conquistar títulos. A equipe do Independiente Del Valle tem um modelo de jogo muito bem definido, pega jogadores muitas vezes desprezados por clubes considerados maiores e os potencializa, e depois os vende por um preço muitas vezes maior do que o que pagou antes. 

Pelo lado do São Paulo, o que resta é lutar para escapar do rebaixamento no campeonato brasileiro e tentar uma vaga mais uma vez na Sulamericana, já que uma vaga para a Libertadores da temporada 2023 vem ficando cada vez mais difícil e a equipe ainda tem alguns confrontos diretos que não serão nada fáceis. Erguer a cabeça e seguir depois de uma derrota como foi no sábado não é fácil, ainda mais quando seu comandante estava obstinado por essa conquista e agora parece abatido, cabisbaixo e sem saber o que fazer, qual rumo tomar, mas o que o São Paulo precisa agora é ter foco na reta fina de temporada e começar a se planejar para a temporada que vem logo. Um time com a quarta folha salarial mais alta do país não pode ficar passando por vexames dessa magnitude, um clube do tamanho do São Paulo Futebol Clube não pode se contentar apenas de chegar a uma final de Sulamericana. 

Apesar de toda frustração pelo resultado, fica a boa impressão da torcida, que mesmo com toda dificuldade imposta pela Conmebol conseguiu chegar a Córdoba e acompanhar seu clube do peito e não parou de apoiar em nenhum momento. Fica também o registro de não ter havido xingamento para nenhum dos jogadores durante a partida, todas as ofensas foram diretamente para o presidente Júlio Casares e sua cúpula. 

No fim, não adiantou a força da camisa, muito menos a força do ídolo como técnico, o que prevaleceu na Argentina foi a organização. Em todos os sentidos. 



Comentários

Postar um comentário